De gestor hospitalar a psicanalista e perito judicial — não por ruptura, mas pela mesma pergunta que as duas áreas fazem de formas diferentes: o que faz uma pessoa agir contra o que ela mesma diz querer?

Passei dez anos gerindo estoques de insumos hospitalares. Bisturis, cateteres, medicamentos, equipamentos cirúrgicos. Coisas que têm destino certo: um corpo em tratamento.
Nesse ambiente, aprendi muito rápido que o estoque mais crítico de um hospital não está no almoxarifado. Está nas relações entre as pessoas que operam o sistema. Uma equipe em conflito é mais arriscada do que uma prateleira vazia — porque ela produz os erros que a prateleira vazia não produziria.
Gerenciei equipes, redesenhei processos, implantei KPIs. Os números melhoravam. E as pessoas continuavam adoecendo.
Por detrás de cada norma, cada meta, cada processo — existe um sujeito que deseja, que teme, que sonha e que muitas vezes desconhece o próprio ser. Essa constatação não é uma crítica à gestão. É um limite dela.
Quando os processos funcionam e as pessoas continuam falhando — não por incompetência, mas por algo que não aparece em nenhum relatório de desempenho — a pergunta muda de natureza. Ela deixa de ser 'o que está errado no processo?' e passa a ser 'o que está acontecendo com o sujeito que opera esse processo?'
Essa pergunta me levou à psicologia. Não como ruptura com o que eu fazia, mas como continuidade. Era a mesma questão, feita com outras ferramentas.
A psicologia é grande. Comecei pela análise do comportamento: rigorosa, empírica, orientada por evidências. Aprendi muito. Mas havia algo que ela não alcançava: o que o sujeito faz com o que lhe acontece — não apenas o que acontece a ele.
Passei pela psicologia de campo, pela Gestalt — onde o foco é o contato, a totalidade, o que emerge na relação. Mais perto, mas ainda insuficiente para o que eu precisava entender.
A psicanálise chegou como uma lógica diferente. Não a psicanálise dos divulgadores de autoajuda — mas a do inconsciente estruturado como linguagem, do sujeito dividido entre o que diz e o que faz. E dentro da psicanálise, Lacan — não como ponto final, mas como um novo ponto de partida. Como ele mesmo dizia: a análise é o que não cessa de não se escrever.
A especialização em avaliação psicológica veio como necessidade clínica: saber usar os instrumentos com rigor, sem me tornar refém deles. Um teste bem aplicado dá informação. Um teste bem interpretado dá compreensão. São coisas diferentes.
A perícia judicial veio como consequência lógica. Se há um campo onde o saber técnico precisa ser irrefutável e a escuta precisa ser refinada, é no tribunal. Um laudo pericial é um documento que tem efeitos reais sobre a vida de pessoas reais. Ele precisa ser tecnicamente correto — e precisa ser feito por alguém que entende que o avaliado não é apenas um conjunto de respostas em formulários.
A pergunta que as pessoas fazem quando descobrem que sou perito: 'Mas como você concilia isso com a psicanálise?' A resposta: é exatamente por isso que sou um perito diferente.
A psicanálise não me impede de fazer perícia. Ela me torna mais preciso.
Hoje, minha atuação move entre três posições. Como analista, sustento o não-saber — a escuta que não conclui, que abre espaço para o sujeito se surpreender com o que diz. Como avaliador, aplico instrumentos com rigor técnico e os interpreto com olhar clínico. Como perito, respondo à demanda da instituição com precisão metodológica e independência.
Cada uma dessas posições exige uma lógica diferente. Saber em qual delas estar — e quando trocar — é o que transforma experiência em competência.
Para quem sente que algo não está funcionando — e quer entender o que é, antes de qualquer outra coisa. Atendimento online e presencial, para brasileiros no Brasil e no exterior.
Iniciar uma escuta →Laudos para processos seletivos, procedimentos médicos, demandas administrativas ou qualquer situação que exija um documento técnico. Rigor metodológico e leitura clínica.
Solicitar avaliação →Laudos periciais para processos cíveis, criminais e de família. Inscrição ativa no TJBa. Independência técnica, precisão metodológica e linguagem jurídica.
Falar sobre a perícia →Para organizações que percebem que o problema não está no processo — e precisam de alguém que saiba ler o que os dados não mostram.
Falar sobre sua demanda →2018 – 2023
Centro Universitário Ruy Barbosa
2022 – 2024
Faculdade Centro-Oeste
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Instituto de Psicanálise da Bahia
2012 – 2014
Faculdade Ruy Barbosa
CRP-03 nº 03/29660 (Psicologia) · CRA-BA nº 24267 (Administração) · Perito inscrito no TJBa
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